Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (de 2025) é o tipo de filme que tenta fisgar pela nostalgia, mas acaba se perdendo na própria linha do tempo. A proposta é continuar a franquia dos anos 90 e 2000, porém, acaba mais parecendo um episódio perdido de algum spin-off genérico de Pânico.
A trama repete a fórmula: um grupo de jovens causa um acidente, decide esconder o corpo e, um ano depois, começa a ser caçado por um serial killer mascarado. Mas aqui a tentativa de modernizar tudo com estética Gen Z, diálogos forçados e personagens vazios acaba sabotando o que tinha de mais interessante. Em sua maioria, o elenco de “novos rostos” é morno, o que age em contraste com a protagonista, que até entrega uma boa atuação — e é basicamente o que segura o filme.
O roteiro tem boas ideias, inclusive começa com umas quebras de expectativa interessantes. Logo depois, já pela metade do filme, ele próprio escorrega na falta de coesão: nenhuma cena parece pertencer ao mesmo filme. As transições de lugar são forçadas, as decisões dos personagens são absurdas (mesmo pro padrão slasher) e a revelação do assassino descaracteriza tudo que veio antes.
Tem uma ou outra morte marcantes e uma cena de fan service que tenta dar um cutucão e acordar os fãs antigos. A exceção é a cena pós-créditos longa (cerca de dois minutos, o que é raro), tentando forçar espaço pra uma sequência que ninguém pediu, reabrindo portas do segundo filme. Em retrospecto ao que foi dito neste e nos antecessores, parece que esta versão de 2025 não sabe se quer encerrar ou recomeçar — a clássica sequência que segue a cartilha de soft reboot.
No fundo, o erro principal é não ter assumido um estilo. O filme fica entre querer ser o novo Pânico e ao mesmo tempo querer prestar homenagem aos slashers dos anos 2000, mas sem entender o que fez eles funcionarem. O resultado é uma colagem de clichês, sem carisma e sem direção. Há algumas que fazem certo, hoje: Totally Killer e Dezesseis Facadas, por exemplo, mostram como reviver esse tipo de terror com um grau elevado de personalidade. Este aqui, por sua vez, poderia tranquilamente continuar não existindo.

