Quarteto Fantástico finalmente acerta (na quarta tentativa), entregando um filme realmente fantástico. A nova formação do grupo de heróis funciona como uma família prestes a crescer, até que a Surfista Prateada aparece, alertando a Terra sobre a iminente chegada de um devorador de planetas.
Diferente da maioria dos filmes de herói, esse aqui tem poucas brigas. Ainda assim, te prende o tempo todo. Afinal, ele não é sobre pancadaria, e sim sobre dilemas, convivência e jeitos criativos de lidar com um problema que parece impossível de ser resolvido. Os poderes deles até parecem fracos comparados ao vilão (que às vezes deixa de lado qualquer lei da física!), com exceção de Sue, que é simplesmente a melhor coisa do filme, tendo o destaque que merece.
Posicionado como o 37º filme da Marvel em termos de data de lançamento, em um ranking pessoal, ele se encontra no meio da lista, entre a qualidade padrão dos filmes “menos desgostados” do estúdio, a exemplo de Guardiões da Galáxia Vol. 2 e Homem-Aranha: De Volta ao Lar. Ou seja, bem no meio da transição da “velha” Marvel para uma fase mais autoral. E dá para sentir isso: tem uma estética impecável (visual de quadrinho!), soluções mais espertas do que só socar o vilão até ele cansar e um ritmo bem amarrado, mesmo com muitos conflitos emocionais acontecendo em simultâneo.
Surpreendentemente, eles conseguem fazer caber tudo isso em menos de duas horas. Mesmo que o marketing tenha entregado bastante nos trailers, o filme ainda tem o que mostrar: a ameaça é gigante (às vezes até demais), com uma condução que faz com que a jornada seja mais interessante do que o clímax do longa, em si.
O maior pecado talvez seja o que fazem com o Ben (o Coisa), que acaba ficando de escanteio. Enquanto o Johnny tem uma conexão com a Surfista prateada, e a dupla Reed e Sue são claramente o coração da história, Ben é deixado no fundo da sala, com uma semente plantada ao relacionamento do futuro, esperando a vez de brilhar.
No geral, é um filme redondo, divertido, visualmente incrível, com uma vibe muito mais próxima de Os Incríveis do que dos primeiros Quartetos. O único grande erro em si é de estratégia. Este poderia muito ser o início de uma trilogia, que poderia seguir nessa mesma pegada. Porém, optaram por já enfiar os personagens no futuro filme dos Vingadores – anúncio feito antes mesmo de Quarteto estrear. De toda forma, com esta sendo a estreia deles no MCU, foi mais que bem feita.

