O Primata

O Primata acompanha um grupo de amigos jovens, de longa data, que viajam para o Havaí e ficam hospedados na casa de uma família que tem um chimpanzé de estimação. A partir do momento em que o animal começa a se comportar de forma estranha, os jovens tentam desvendar o que aconteceu com ele e, de diversas formas, o filme deixa claro que isso não vai acabar bem.

Se a premissa já te fisga, vale adiantar: O Primata foca em diversão. Ele é direto ao ponto, com ritmo afiado. Logo no começo, o filme estabelece os personagens e constrói, aos poucos, um grau de preocupação por cada um deles – mas nada mais que o necessário. Toda cena com humanos passa a sensação constante de que eles estão sendo observados, com tom intrusivo e desconfortável. De forma curiosa, o filme parece ir “treinando” quem assiste para o tipo de susto que vai usar ao longo da narrativa.

Um exemplo da criatividade arquitetada para entreter é com a comunicação. Há o uso do tablet pelo chimpanzé: é como ele se comunica, com botões que reproduzem palavras ao serem pressionados. O filme explora muito bem este recurso para criar tensão, o som da voz robótica que adiciona uma camada quase surreal ao medo já sentido. Outro acerto de comunicação é com a linguagem de sinais: o pai da família é surdo (foi quem treinou o macaco) e quando o filme assume a perspectiva dele, o som simplesmente desaparece. Dessa forma, vemos como o áudio torna-se essencial em O Primata – inclusive nas cenas de ataque, com ossos quebrando, carne rasgando e um som visceral extremamente bem trabalhado.

Em termos de subgênero, o longa aposta no suspense, na sanguinolência e numa tensão constante, um verdadeiro slasher em que a ameaça é o próprio primata. A crítica clássica ao terror com jovens (personagens fazendo escolhas idiotas) até aparece, mas de forma mais controlada do que o esperado. Honestamente, se não tivesse um pouco desse deslize de roteiro – no caso, proposital –, o filme correria o risco de soar artificial demais. A proposta é clara: diversão em primeiro lugar.

Onde o filme precisaria ir um pouco mais fundo – no desenvolvimento das relações e em fazer o público se importar se pelo menos um deles vai sobreviver – ele dá conta do recado. A dinâmica entre quem cresceu convivendo com o chimpanzé e as hóspedes, que sentem medo desde o primeiro contato, funciona muito bem. Essa diferença de percepção sobre o que é “normal”, seja com toque ou com a proximidade, cria uma barreira que alimenta o medo. É daí que nasce a tensão, tanto para os personagens quanto para quem assiste. Fica claro que o público-alvo inclui pessoas que talvez nem tivessem medo de macacos até ver o filme.

Em suma, O Primata entrega exatamente o que promete: um terror direto, criativo, tenso e surpreendentemente divertido, especialmente se a ideia de ficar preso numa casa com um chimpanzé já te arrepia.