O terror disfarçado de drama romântico… ou talvez o contrário. A trama de Juntos acompanha um jovem casal que se muda para uma nova casa, em uma comunidade aparentemente tranquila. Após um acidente, descobrem algo estranho acontecendo em uma caverna. A partir daí, a relação entre eles e este grande mistério começam a se confundir — e eles se veem mais “juntos” que nunca.
O filme é todo construído em metáforas sutis, afinal, a tensão não é somente sobre o que está escondido na mata, mas sobre as dificuldades de estar em um relacionamento. Há comentários sobre o desejo de uma união absoluta versus a necessidade de espaço, o que facilmente transforma esse conflito íntimo em puro horror físico (o colocando no subgênero body horror). Os efeitos especiais são competentes, especialmente no grotesco, e garantem momentos de pura agonia. Há ecos de Substância, onde este artifício serve de extensão ao comentário pessoal. Aqui, ele é o reflexo da convivência que sufoca o casal.
Um detalhe curioso é o casal do filme também ser um casal na vida real (Alison Brie e Dave Franco), o que dá um tom “meta” ao projeto, intensificando a leitura sobre intimidade, desgaste e cumplicidade.
Como terror, Juntos funciona: tem sustos, tensão, suspense e body horror eficaz o suficiente pra deixar o espectador desconfortável. Como mensagem, a entrega é levemente morna. É o tradicional “filme três estrelas”: você sai satisfeito, mastiga a mitologia e todas metáforas, lembrará de algumas cenas fortes e basta.

