Um slasher comédia, ambientado em um parque de diversões durante o Halloween, nas famosas “noites do terror”, onde tudo é feito para parecer encenação… até o momento em que deixa de ser.
A premissa é simples e eficiente: seis dos matadores mais perigosos da região fogem de um hospital psiquiátrico, passando a aterrorizar o parque, enquanto o público acredita que eles são apenas funcionários fazendo parte da atração. Porém, o público mal sabe que nada é simulado: a sede de sangue é real.
A graça do filme está justamente nesse jogo de percepção. Em um espaço de “faz de conta”, onde ninguém leva ameaças a sério, o quanto alguém pode ir longe sem se dar mal? Porque mesmo quando a morte acontece diante dos olhos, o ceticismo domina – ou melhor, a crença em fantasia. Entre trotes recorrentes e falsas emergências, quem vai acreditar que algo real está acontecendo de verdade?
Já o humor funciona em vários níveis. Algumas cenas arrancam gargalhadas inesperadas, como a do funcionário da lanchonete conversando sozinho, interrompido ocasionalmente pelos gemidos vindos do cômodo ao lado. O tom é assumidamente sacana, cheio de trocadilhos e piadas de gosto duvidoso, com nosso selo de aprovação “Austin Powers” de comédia. Tem até palavrão censurado no meio da fala, cortado de forma propositalmente exagerada.
E quando o filme resolve pesar a mão, pesa mesmo. As cenas dos assassinos em ação são brutais, com rostos arrancados, gargantas cortadas e muito sangue em cena, tudo sustentado por efeitos práticos que jogam o espectador direto no meio da carnificina. A violência é gráfica, mas sempre alinhada ao tom exagerado da proposta.
Há também momentos de respiro bem sacados, como as reações dos próprios matadores aos cenários que simulam seus ambientes de “trabalho”: o açougueiro na cozinha, o taxidermista no ateliê, o dentista no consultório. As críticas que eles fazem às recriações (apontando erros, exageros, incoerências) são impagáveis e funcionam como um comentário metalinguístico sobre o quanto o público aceita qualquer representação como verdade absoluta, tratando-se do cinema.
As atuações dos jovens que visitam o parque são, em geral, péssimas, mas isso parece intencional. Eles são descartáveis desde o primeiro momento. A superficialidade, inclusive, ajuda a reforçar essa ideia. O filme também entrega seu lado datado, com referências claras à época, incluindo uma menção ao Vine.
Em geral, os personagens seguem estereótipos óbvios ditados pelas fantasias de Halloween: o valentão jogador de futebol americano sem cérebro, a garota hipersexualizada e o casal introvertido que parece o mais funcional em qualquer situação. Em paralelo, uma investigação sobre acontecimentos estranhos na cidade se desenvolve, alimentando a expectativa de como – e quando – tudo isso vai colidir com a trama principal.
Funhouse – O Massacre não se leva a sério e nem tenta. É um slasher divertido, consciente da própria cafonice, que mistura humor escrachado, violência gráfica e comentários irônicos sobre o consumo do entretenimento de terror.

