F1 é o tipo de filme que nasceu para ser exibido em IMAX. Longo, com roteiro comum e cheio de clichês esportivos, talvez ele não “ganhe corridas” pela originalidade, mas certamente está num pódio de boa experiência cinematográfica. Brad Pitt é um veterano da Fórmula 1 que, décadas depois de se aposentar, é chamado de volta para ajudar um amigo. Ele acaba se envolvendo em rivalidades, pressões de equipe e dilemas de carreira.
A história segue a “cartilha” clássica dos dramas esportivos hollywoodianos: piloto experiente, parceiro competitivo, clima de redenção e de superação, tudo costurado pela trilha sonora épica do Hans Zimmer. O diferencial está na execução: foi filmado inteiramente com câmeras IMAX e em autódromos reais (inclusive, muitos durante etapas oficiais da Fórmula 1). O resultado? Uma imersão raríssima, colocando o espectador no cockpit.
Mesmo que você não entenda nada do esporte, o filme é acessível. Não exige conhecimento técnico, não se perde em jargões, nem te empurra explicações complexas. Porém, pra quem acompanha, os detalhes são um prato cheio — com direito a participações de pilotos, equipes e até uso de estruturas reais. Ainda assim, os fãs mais atentos (e exigentes) vão se incomodar com algumas liberdades criativas e certas decisões que ignoram realidades do mundo das pistas. Tudo gira 100% em torno do personagem de Brad Pitt que, apesar das piadas sobre sua idade, segura bem o papel e entrega o carisma necessário.
A maior ausência que sentimos? O Brasil. Apesar das várias menções ao nome de Ayrton Senna, F1 ignora completamente o país. Não há nenhuma cena gravada em Interlagos e zero espaço para pilotos brasileiros, o que, considerando o contexto e o legado, soa como uma oportunidade desperdiçada. Ainda que em 2023 (quando o filme começou a ser gravado) não estivéssemos com profissionais brasileiros na Fórmula 1, admitimos que seria melhor a ausência completa, com foco em circuitos europeus, do que o leve tom de descaso por nossa rica história nacional do esporte. Outro ponto curioso (e desgostado por nós) é sobre o elenco de apoio. Simone Ashley, por exemplo, foi anunciada com destaque, chegou a aparecer no tapete vermelho e foi deletada por completo do filme.
No fim das contas, F1 é mais um “filme de pai”, no melhor sentido possível. A história pode não surpreender, mas o espetáculo visual e sonoro faz valer o ingresso. É aquele tipo de filme que você vai assistir com um sorriso, mesmo já conseguindo prever exatamente como irá acontecer o último lap.

