Elio, o novo filme da Pixar, tenta alcançar as estrelas, mas já se tornou o maior flop do estúdio. Com uma premissa adorável e um protagonista solitário (que se vê, por acidente, como representante da humanidade terrestre), o longa entrega uma aventura sci-fi sensível e repleta de boas intenções — mesmo que o marketing desastroso tenha falhado em vender todo esse coração que ele carrega.
A força de Elio está na simplicidade: o olhar de uma criança que se sente pequena demais para o mundo, mas que encontra propósito ao ser jogada em um universo (que, a mesma percebe, ser) muito maior. É um filme que conversa com a frase de Carl Sagan “estamos realmente sozinhos no universo?”, sem a melancolia habitual de ficção científica. Em vez disso, aposta na ternura e em toda a empatia, sendo ambas forças que conseguem conectar os mundos.
Visualmente, o filme é um espetáculo. A diversidade das espécies alienígenas é um show à parte: são dezenas de formas, vozes e perspectivas sobre a Terra, todas tratadas com cuidado e humor. Para fãs de ciência e exploração espacial, há um carinho especial nas referências — vide a Voyager, o disco dourado, com todo o senso da visão infantil sobre o desconhecido.
No entanto, Elio tropeça em um ponto que “orbita” o filme: a campanha de divulgação não soube comunicar a alma do filme. Muitos espectadores podem entrar na sessão esperando mais uma aventura genérica sobre uma criança e um ET. O que elas recebem, na verdade, é uma fábula existencial sobre pertencimento, fazendo refletir sobre identidade e sobre a coragem da gentileza. O “alienzinho” coadjuvante (que rouba todas as cenas!) é um achado, representando uma fração pequena da história — o que pode corroborar com a impressão de quem viu somente os trailers.
A comparação com outros lançamentos recentes da Disney, como Mundo Estranho, é inevitável… e talvez um pouco injusta. Elio é mais delicado, menos frenético, acertando ao tratar com honestidade emocional o sentimento de não se encaixar/não pertencer. A moral da história, por assim dizer, de “eu posso não te entender, mas eu te amo”, é simples, direta e comovente.
Com isso, Elio se firma como uma das melhores animações sci-fi infantis de todos os tempos, nos lembrando o porquê de a Pixar ainda merecer um voto de confiança.

