Amores Materialistas é um daqueles romances que abraçam a farofa sem vergonha… e talvez por isso acabe sendo divertido.
A trama acompanha uma jovem (Dakota Johnson, no seu humor seco característico, nem sempre bem encaixado) em um dilema amoroso nada discreto: dividir o coração entre diferentes perfis masculinos dignos de um catálogo de aplicativo de relacionamento. A metáfora não é por acaso: a protagonista trabalha quase como um “Tinder humano”, aconselhando, escolhendo e equilibrando desejos românticos com expectativas sociais e econômicas dos potenciais parceiros. E aí está plantada a semente da ironia: agora chegou a vez dela escolher.
O tom do filme está longe do romance melancólico de Vidas Passadas (da mesma roteirista e diretora, Celine Song). Se naquele tínhamos introspecção e delicadeza, aqui mergulhamos em exagero, com direito a piadas sobre altura de homens e dilemas novelísticos. A comparação, inevitavelmente, pesa contra ele: Amores Materialistas nunca se leva a sério, mas nem sempre encontra a medida certa para fazer comédia.
Ainda com altos e baixos, o elenco carrega boa parte da experiência. Chris Evans, em especial, se destaca ao revisitar o gênero romântico com charme (dentre eles, Não É Mais um Besteirol Americano e Qual Seu Número?), pois ele parecia precisar mostrar esse lado de novo a Hollywood. Os coadjuvantes também oferecem alívios cômicos consistentes, evitando que o filme caia em monotonia absoluta.
O problema está mais no roteiro, que perde o ritmo ao tentar equilibrar sátira moderna sobre relacionamentos digitais com um triângulo amoroso previsível. A primeira metade, focada na vida pessoal da protagonista e em seus dilemas de casamento, tem mais força. Porém, quando a narrativa mergulha de vez no jogo de escolhas românticas, perde todo o frescor. Sem discutirmos sua conclusão, é o suficiente dizermos que a revelação final do “par certo” também acontece cedo demais, restando uma parcela considerável do filme – que se alonga sem necessidade.
No fim, Amores Materialistas não é um romance profundo, nem pretende ser. Ele entrega piadas atuais, reflexões rápidas sobre aplicativos de relacionamento (e sobre se relacionar em plenos anos 2020) e um trio de performances carismáticas. É descontraído, engraçado em alguns momentos e cansativo em outros.

