A Única Saída conta a história de um homem comum, pai de família, funcionário de uma empresa de papel que, de uma hora para outra, é demitido. O mercado de trabalho está saturado, as vagas são poucas e disputadas, então ele logo percebe que está competindo com dezenas de pessoas pelas mesmas oportunidades. É nesse desespero que ele chega a uma conclusão extrema: para garantir seu lugar, ele precisa eliminar a concorrência. O filme, então, nos convida a observar até onde essa ideia pode ir.
O resultado: um filme excelente, que mistura sátira e drama com maestria. A comédia em si aparece em tom de humor ácido (quase cruel, para o espectador), enquanto os picos de ansiedade se acumulam de forma constante. É uma crítica social potente, que nos faz rir do absurdo ao mesmo tempo em que escancara a realidade que é muito próxima da nossa. Mesmo sem concordar nada do que esse personagem faz (e seria preocupante o contrário), o roteiro entrega todas as ferramentas necessárias para entender de onde ele vem. O desespero é real, cotidiano, reconhecível. É o medo de não conseguir sustentar a família, de se tornar descartável dentro de um sistema capitalista que não oferece rede de proteção.
E talvez o maior peso seja que A Única Saída permanece com você mesmo depois que acaba. Ele provoca reflexão sobre o impacto das suas ideias, sobre o medo do homem moderno (seja ele pai, mãe ou responsável pela família) e sobre como esse pânico consegue moldar as nossas decisões. É impossível ver só uma vez, justamente por você sentir a falta de captar os detalhes que passaram despercebidos na primeira sessão.
Na produção, o peso é evidente: é sul-coreano, dirigido por Park Chan-wook (de Oldboy), estrelado por Lee Byung-hun (de Round 6). A história vem de um livro que já havia sido adaptado anteriormente na França. Mesmo sem entrarmos em uma comparação direta (de um filme que já me conquistou desde a sinopse!), A Única Saída se sustenta com força própria e funciona de maneira independente.
Tecnicamente, o filme é irretocável. Além de te fisgar pela narrativa, o filme é visualmente deslumbrante. A fotografia é linda, a movimentação de câmera é única e a trilha sonora te envolve. A violência, quando acontece, nunca é gratuita, garantindo que as dores e todo o desespero cheguem a você sem freios.
A Única Saída é, sem exageros, um dos melhores filmes do ano passado. É urgente, provocador, temporal e inesquecível.

