A Hora do Mal tornou-se, sem exageros, o melhor terror do ano. A premissa é direta: uma turma quase inteira de crianças some misteriosamente durante a madrugada. A partir daí, vamos, junto dos personagens, entendendo gradualmente o grande mistério que assombra a cidade.
O maior diferencial é a estrutura. O filme é dividido em capítulos, cada um pela perspectiva de uma pessoa: ora a professora, ora o pai desesperado, o policial, ou um parente. Algumas cenas até chegam a se repetir, mas sob outro olhar, sem redundância, revelando novos detalhes e nos ajudando a criar um quebra-cabeça com encaixe perfeito das peças.
É um terror explícito, pesado e cheio de imagens chocantes, mas com momentos tão exagerados que beiram a paródia do gênero (lembrando muito de Noites Brutais, do mesmo diretor). E isso, ao invés de atrapalhar, estabelece uma camada curiosa: você fica entre o riso nervoso e o susto genuíno. A montagem é ágil, o suspense cresce cena após cena e as duas horas de filme passam voando.
Assim como em Noites Brutais, também, a graça está em não sabermos nada além da premissa quando começamos a assistir o filme. O mistério é o coração dele e a revelação sobre o que aconteceu é, no mínimo, memorável. O paralelo com Prisoners (Os Suspeitos) é inevitável: pais em uma corrida contra o tempo, obcecados por respostas. Porém, a estrutura múltipla lembra também Magnólia: várias vozes e várias histórias, que acabam se entrelaçando de forma surpreendente.
Resultado? Um prato cheio de terror moderno, ousado, imprevisível e que, de berço, já é cult.

