Inicialmente concebido como uma sequência direta de Um Lobisomem Americano em Londres, o filme Um Lobisomem Americano em Paris acompanha um grupo de amigos americanos em um mochilão pela Europa dispostos a transformar a própria viagem numa competição de adrenalina. Em Paris, eles impedem uma jovem de se jogar da Torre Eiffel, passam a persegui-la pela cidade e logo percebem que existe algo profundamente errado acontecendo. E o que antes era só uma “aventura juvenil” rapidamente un vira caos sobrenatural.
O filme segue muito a lógica do “terror divertido” herdado dos anos 80: romance, humor constante, sustos mais leves, comédia pastelão surgindo do nada e aquele clima de fantasia exagerada que não se leva tão a sério. Isso chega até o ponto de usarem músicas quase como piada, ou uma cena de nudez gratuita no melhor estilo da época e até visões sobrenaturais surgindo no meio da narrativa. Em suma: diverte antes de assustar.
Também chama atenção pelo elenco extremamente anos 90. Tom Everett Scott vinha logo após The Wonders e carrega aquele protagonismo de cara comum jogado numa situação absurda, enquanto Julie Delpy chega com toda a aura romântica pós-Antes do Amanhecer. A dinâmica entre os dois funciona justamente porque o filme nunca abandona totalmente a ideia de romance adolescente perdido dentro de um filme de monstro. Até os últimos instantes, o clima ainda fica no ar.
Uma surpresa positiva é que os personagens geralmente têm bom senso de sobrevivência. Eles questionam situações estranhas, tentam fugir quando precisam e não ficam só esperando a morte chegar. Isso ajuda bastante a manter o ritmo divertido, porque o filme não depende exclusivamente de personagens tomando decisões absurdas o tempo inteiro.
Ao mesmo tempo, conforme a reta final se aproxima, tudo começa a convergir para um caos gigantesco. Investigadores, lobisomens, perseguições e os protagonistas acabam se cruzando quase por coincidência, numa escalada que vai ficando cada vez mais insana. A sensação é de que o roteiro vai acumulando elementos até desembocar numa conclusão completamente exagerada – especialmente na última cena, que abraça o absurdo total. Funciona melhor se você aceitar que o filme está mais interessado em entregar um clímax divertido do que necessariamente coerente.
Tecnicamente, os efeitos especiais seguram muito bem pensando no período e no orçamento. Os 25 milhões de dólares de Lobisomem Americano, por referência, foram um pouco acima do terror de sucesso Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (US$ 17 mi) e metade do sci-fi de terror O Enigma do Horizonte (US$ 60 mi), todos de 1997. A diferença é que somente Enigma não se pagou, comparado ao sucesso de Verão Passado, que quase quintuplicou seu orçamento, arrecadando 125 milhões de dólares, e Lobisomem Americano com seus US$ 26,5 milhões.
Todo o investimento está na tela. Tem cenas em que a mistura de maquiagem prática com computação gráfica convencem bastante (principalmente numa sequência iluminada apenas por flashes de lanterna revelando o monstro aos poucos). Em outros momentos, os efeitos claramente entregam as limitações tecnológicas da época, mas ainda funcionam dentro da proposta exagerada e cartunesca do filme.
No fim, Um Lobisomem Americano em Paris funciona como uma “cápsula” muito específica do terror dos anos 90: uma mistura de horror, humor e romance adolescente tentando atualizar a fórmula criada por John Landis nos anos 80. Não tem o mesmo peso do original, nem a mesma criatividade, mas entende bem o tipo de diversão caótica que quer proporcionar.

