POV: Presença Oculta

POV: Presença Oculta acompanha dois policiais que atendem a um chamado em uma casa sinistra e acabam presos em um dilema central: contar ou não a verdade sobre o que aconteceu ali para seus superiores. A partir dessa premissa, o filme constrói um terror que mistura investigação, ética profissional e o medo crescente do desconhecido.

O próprio “POV” já entrega muito da proposta. Em inglês, o filme se chama Bodycam, e se insere diretamente no universo do found footage – mais especificamente no subgênero screenlife, em que tudo é mostrado a partir de câmeras que existem dentro da própria narrativa. Aqui, são as bodycams dos policiais que guiam a experiência. Isso significa que todas as falhas, interferências e cortes fazem parte do cânone do filme. Em alguns momentos, funcionam como conveniência para esconder informações; em outros, como ferramenta de linguagem para nos transportar entre diferentes perspectivas. Essa escolha reforça a imersão e cria uma lógica interna que tem bastante consistência.

Com cara de um dos curtas da franquia V/H/S, o filme coloca muitas peças no tabuleiro: falhas de comunicação com o exterior, fenômenos paranormais, protocolos policiais, conflitos éticos e uma sensação constante de ameaça que influencia cada decisão. A tensão é sustentada principalmente pelas trocas de câmera. Cada mudança de ponto de vista carrega a possibilidade de um susto imprevisível.

Para quem já está calejado com os códigos do found footage (visão noturna, iluminação artificial, silêncios abruptos, monotonia proposital), o filme consegue extrair ainda mais tensão. Esses elementos são usados de forma estratégica, sendo “salpicados” conforme o cenário muda, mantendo o espectador sempre em alerta.

As aparições e acontecimentos têm um caráter manipulador, especialmente em relação ao protagonista. Aos poucos, o filme revela a extensão dos poderes da entidade envolvida, criando uma sensação de controle invisível sobre tudo o que está acontecendo. Há também uma quebra de expectativa interessante: aquilo que parece ser o motor principal da narrativa acaba funcionando mais como o trecho de introdução do filme.

Fica uma dúvida técnica curiosa fora da tela, que pode te motivar a assistir: as imagens existem porque foram recuperadas (o que implicaria que os personagens sobreviveram, respeitando a lógica das bodycams), ou o filme toma uma liberdade poética para mostrar tudo em tempo real, independentemente do desfecho? Essa ambiguidade dialoga com o próprio formato.

Por outro lado, nem tudo sustenta o mesmo nível. As atuações são sofríveis em vários momentos, o que dificulta a conexão com os personagens. Já os efeitos digitais (e suas simulações de glitches!), dentro da proposta, são convincentes, funcionando bem no contexto.

No geral, POV: Presença Oculta é tecnicamente eficiente. A credibilidade do found footage consegue te transportar fisicamente para o centro da ação. Você está ali, vendo tudo acontecer. Mas, ao mesmo tempo, o filme não consegue te colocar emocionalmente no lugar dos protagonistas, falhando em construir uma história de terror que vá além da experiência imediata.