Paul Thomas Anderson quase nunca erra, e Uma Batalha Após a Outra continua provando isso. Conhecemos a história de Bob (Leonardo DiCaprio) e sua filha Willa (Chase Infiniti), ambos fugitivos depois que uma ameaça de seu passado ressurge. Separados durante a confusão, acompanhamos a busca frenética de DiCaprio por sua filha e vemos a Willa de Infiniti ir de menina à mulher.
O filme mistura muitas coisas, tem uma forte mensagem política ao mesmo tempo que possui muita comédia, é imprevisível e consegue apresentar um épico de quase três horas com pouquíssimos personagens centrais.
O roteiro original não tem receio de demonstrar todas as suas críticas direcionadas ao atual governo dos Estados Unidos, e com um timing impecável. A direção de PTA é, como sempre, visualmente deslumbrante, e carrega a longa duração de maneira que ela se torna imperceptível.
Não existe momento entediante, nem personagem esquecível, toda construção de personagem e de mundo é feita de maneira inteligente e orgânica, e a empatia (ou completo desgosto) por cada personagem vem de forma extremamente natural para o espectador.
Seu único defeito é pedir um pouco de paciência demais para colocar todas as peças da história em seus devidos lugares do tabuleiro. Todos os demais filmes do diretor conseguem chegar no ponto “ok, agora a história começou” de forma mais rápida e sucinta, mas esse ato de construção não é desperdiçado, muito menos desinteressante.
PTA trabalha novamente com o compositor Jonny Greenwood (Vício Inerente) e juntos trazem uma trilha sonora memorável e essencial para a construção de tensão e alívio que movimenta todo o filme.
Juntamente de filmes como Pecadores, não há sombra de dúvidas que Uma Batalha Após a Outra ainda será muito falado conforme nos aproximamos da temporada de premiações.

