Sexta-Feira Muito Louca 2

Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda chega com a difícil missão de reviver uma das comédias familiares mais icônicas da Disney dos anos 2000. Dessa vez, o conceito de troca de corpos é ampliado: não apenas mãe e filha se veem em papéis invertidos, mas quatro personagens entram nessa confusão: Lindsay Lohan, Jamie Lee Curtis e duas novas adições que conseguem segurar bem a dinâmica.

O grande trunfo está justamente em vermos Jamie Lee Curtis revivendo a adolescência dentro do corpo adulto (agora com ainda mais timing cômico!) e em como Lindsay Lohan retorna com energia, provando que continua à vontade nesse tipo de comédia (que, para nós, é o “puro suco” de nostalgia). As novas personagens, a filha da personagem de Lohan e sua colega de classe, poderiam facilmente cair no estereótipo de “atualização para a Gen Z”, porém, ambas são bem construídas e trazem humor fresco, sem perder a essência geracional do primeiro filme.

Outro destaque é a dublagem brasileira. Este foi um dos raros casos em que vale tanto quanto a versão legendada, já que os dubladores originais retornam e entregam uma atuação que reforça a sensação de continuidade entre os filmes.

Apesar de divertido, o longa sofre um pouco com o excesso de protagonistas. Por bem ou por mal, há quatro arcos a desenvolver, o que faz a primeira metade pesar em exposição, nos mastigando toda a dinâmica necessária para entendermos a frustração das personagens. Ainda assim, isso acaba abrindo um bom espaço para que o filme aborde temas mais densos do que no original (atualizando também a “fórmula Disney”), retratando a aceitação de novas figuras familiares, o luto e amadurecimento. Se o primeiro longa era sobre rebeldia e empatia entre mãe e filha, este ainda aprofunda as mesmas questões, explorando também a dor da perda e a necessidade de reconexão.

Mesmo com piadas adaptadas ao humor atual, ele mantém a graça atemporal, sendo daqueles filmes que, daqui a 10 anos, ainda vai poder ser assistido em sequência com o original, sem perder relevância.

Veredito: Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda é a sequência que chega no timing mais certo o possível. É honestamente engraçado, nostálgico e surpreendentemente emocional. Talvez não supere o impacto do primeiro, mas certamente está à altura dele – como um bom “revival” deve ser.