Superman chega com um frescor que talvez poucos esperassem. Não é um filme perfeito, mas acerta em tantos aspectos que até dá a sensação de que o criticar chega perto de ser injusto. É aqui que James Gunn imprime aqui seu estilo característico (o mesmo da trilogia Guardiões da Galáxia e de O Esquadrão Suicida), transformando herói em um protagonista mais leve, atual e até politizado, sem deixar a mensagem escapar da simplicidade que um Superman que se preze sempre carregou.
O maior mérito talvez seja esse: a representação de um Superman mais humano e mais divertido, que se distancia da seriedade sisuda (e estoica) da “Era Zack Snyder”, abraçando um tom cômico que, surpreendentemente, combina muito bem com o personagem. A crítica política, clara e direta, também coloca o herói em diálogo com o mundo de hoje, sem enrolação, nem brecha para interpretações equivocadas.
Talvez o filme atingisse a perfeição se tivesse um retrabalho de seus minutos iniciais. Ele demora um pouco a engatar e carrega uma dose excessiva de diálogos expositivos, que inevitavelmente soam artificiais quando personagens reiteram informações que já deveriam saber. Quem conhece a fórmula, sabe o que esperar: às vezes, fugir da estrutura de “história de origem” acarreta um ar de estranheza. Para quem gosta de Clark Kent jornalista, o filme também deixa a desejar: sua vida no Planeta Diário aparece pouco, podendo ter enriquecido ainda mais a narrativa.
No fim, Superman é ousado, leve, político e cheio de acertos, mas também traz algumas escolhas narrativas que dividem. É um passo seguro para o novo DCU, mesmo que ainda falte um pouco de equilíbrio entre o herói e o homem por trás do traje.

