Confinado é um thriller claustrofóbico que parte de uma premissa simples e sufocante: você está preso dentro de um carro controlado por outra pessoa. Um jovem endividado acaba arrombando o carro da pessoa errada e acaba refém de um senhor misterioso que tem domínio total sobre o veículo — do ar-condicionado ao volante. O filme, que conta quase exclusivamente com Bill Skarsgård e Anthony Hopkins como dupla protagonista, já garante peso de atuação. Skarsgård encarna (mais uma vez!) um sujeito disposto a tudo por dinheiro, enquanto Hopkins é esse “maestro” do jogo psicológico, alternando entre manipulação e frieza com naturalidade.
Por ser quase todo ambientado dentro do carro, o longa aposta em diálogos intensos e uma mise-en-scène fechada, o que gera tanto tensão quanto momentos mais expositivos. O background do protagonista, marcado por frustrações sociais e econômicas, adiciona uma camada de crítica ao capitalismo, mas o cerne está mesmo na experiência sensorial: sentir-se preso, vulnerável e sem saída.
O filme não força você a torcer por nenhum dos lados, ambos têm motivações claras e também falhas gritantes. A proposta é muito mais colocar o espectador no lugar do confinado e perguntar: o que você faria se fosse você? De resto, tudo o que se faz valer em termos de história é extremamente redundante e raso. Tudo o que você espera sobre a lógica de sobrevivência (e os consequentes furos de roteiro) é arremessado pela janela.
Tecnicamente, todavia, ele é excelente. O trabalho de câmera em torno do carro e alguns takes ininterruptos que fazem questionar o quanto de CGI foi usado como tapa-buraco. O ritmo é frenético desde o início e a influência externa acaba funcionando como extensão da mente do antagonista. São certas conveniências que precisam ser aceitas por quem espera a mais pura imersão.
No fim, Confinado funciona como um exercício de suspense claustrofóbico, que lembra Buried, Inside e até Locke. Se você gosta de thrillers de espaço único e tensão psicológica, é uma viagem que vale a pena “entrar”.

