Jurassic World: Recomeço é um retorno à fórmula que deu origem à franquia: dinossauros, humanos em perigo, uma ilha misteriosa e a mais pura representação de até onde se vai por ganância. Mas, ao contrário dos dois filmes anteriores (Domínio e Reino Ameaçado), o novo filme consegue entregar uma experiência que, apesar de previsível, é divertida, visualmente impressionante e consciente da própria nostalgia que tenta aplicar.
A trama gira em torno de uma equipe enviada a uma ilha para coletar o DNA de dinossauros, visando desenvolver curas para doenças cardíacas humanas. A premissa, ainda que básica, serve como ponto de partida para o que o filme realmente quer ser: um soft reboot que tenta recapturar o senso de curiosidade genuína e de tensão que havia no Jurassic Park original. E, surpreendentemente, consegue.
Dirigido por Gareth Edwards (Rogue One, Godzilla) e roteirizado por David Koepp (o mesmo do Jurassic Park de 1993), o filme aposta menos em conexões diretas com os longas anteriores e mais em recriar o sentimento de estar diante de algo igualmente grandioso e perigoso. Tamanha independência, inclusive, surpreende, pois não é necessário ter assistido a nenhum dos outros filmes para se investir (e entender) este, o que ajuda muito na proposta de “recomeço”. Ao mesmo tempo, há homenagens sutis e cenas que rimam diretamente com o clássico, ponto que pode igualmente ser interpretado como “cópia”, ao invés de tê-lo com o bom tom de referência nostálgica.
Visualmente, Recomeço é impecável. Os dinossauros estão mais variados (por sinal, agora são mutações), mais assustadores e melhor integrados ao mundo real — recapitulação que se explica logo na primeira cena urbana deste, com humanos perdendo interesse nas criaturas que uma vez foram um grande atrativo. O cuidado todo se deve ao histórico do diretor com efeitos visuais: ele sabe filmar o impossível com credibilidade. Não usaram marionetes, nem tantos efeitos práticos, mas ainda convence bem como uma forma de recontar o molde de “filme de monstro” em 2025. A ação é bem construída, o suspense funciona e o terror, mesmo que pontual, marca presença com eficiência.
Porém, ainda que tanto da atenção tenha sido dedicada ao lado técnico, a história é funcional, mas rasa. Os personagens seguem arquétipos familiares: o cientista idealista, o soldado incompetente, o vilão ganancioso, a mocinha determinada. Por tudo o que surgiu no primeiro filme dos anos 1990 (e parece ter sido gravado em âmbar, pelo quão pouco mudou), Recomeço decide colocar as mesmas peças no tabuleiro: tudo se encaixa, nada surpreende. Ainda assim, para uma franquia que vinha em queda livre, Recomeço representa o passado que decidiram anular e o futuro da franquia, que pode ter sido reescrito.
Ao final, fica a sensação de que Jurassic enfim entendeu como recomeçar sem se perder no próprio passado. Recomeço não é sinônimo de “Reinvenção”, mas é um tiro certo no essencial: dinossauros espetacular, bom ritmo e um clima de aventura que respeita quem cresceu com a saga.

