Bailarina

Bailarina, o aguardado spin-off do universo John Wick, chega com a difícil missão de se afirmar como uma história independente. Surpreendentemente, ele consegue. Estrelado por Ana de Armas, o filme entrega uma protagonista forte, coreografias criativas e uma narrativa de vingança que, apesar de simples, é conduzida com um pézinho no estilo neo-noir (como o filme se rotula em materiais de divulgação).

A trama acompanha uma jovem assassina treinada por um grupo de elite que mistura artes marciais com a disciplina de balé. Depois de um trauma do passado, ela parte em busca de vingança contra os responsáveis pela destruição da sua família. O enredo segue a fórmula clássica, mas acerta ao focar no impacto emocional da personagem. Ela não precisa salvar o mundo, e sim dar sentido à sua própria dor.

Diferente de outras expansões de franquias, Bailarina é acessível mesmo para quem não está em dia com os quatro filmes anteriores. Há conexões claras com o universo de John Wick — o hotel Continental, rostos conhecidos e até referências diretas aos eventos centrais da saga —, mas nada que impeça a compreensão da história para novos espectadores de plantão.

Um dos pontos altos é a maneira como o filme evita a sexualização da protagonista. Ana de Armas é apresentada como uma personagem competente, determinada e, acima de tudo, humana. Embora o roteiro peque reforçando que ela “luta como uma garota” e, em certos momentos, precise da ajuda de personagens masculinos, a sua história de origem funciona e consegue convencer. A fisicalidade das lutas e a criatividade nos combates reforçam a presença dela como estrela de ação.

O ritmo também é um acerto: com menos enrolação do que John Wick 3, o filme alterna bem entre sequências intensas de luta e pausas narrativas que constroem o arco da protagonista. A direção (mesmo vinda de um homem!), respeita a personagem e evita clichês visuais comuns quando se trata de mulheres em papéis de ação.

Bailarina pode não reinventar o gênero, mas entrega exatamente o que promete: um filme enxuto, estilizado, com stakes pessoais e cenas de ação memoráveis. É o tipo de “derivado” que não tenta ser maior que o original, mas agir como um produto complementar.